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EP1: O Inicio do Fim





O ano é 2009.
Lembro que na passagem de ano onde sempre rolavam aqueles espetáculos de fogos na praia eu tinha certeza de que o ano de 2009 seria ótimo... pff que ingenuidade, mal sabia que tudo iria se transformar na merda que esta hoje. Se antes as pessoas gastavam litros e litros de água lavando calçadas e quintais de suas residências, hoje pessoas se matam por alguns milílitros de água.



Lembro que na passagem de ano onde sempre rolavam aqueles espetáculos de fogos na praia eu tinha certeza de que o ano de 2009 seria ótimo... pff que ingenuidade, mal sabia que tudo iria se transformar na merda que esta hoje. Se antes as pessoas gastavam litros e litros de água lavando calçadas e quintais de suas residências, hoje pessoas se matam por alguns milílitros de água.
            Eu, sinceramente, não sei como estou vivo até hoje, acho que se não fosse minha vontade de viver e sempre continuar a procura de sobreviventes eu acho que já seria um daqueles malditos zumbis que hoje é boa parte da população. O pior de tudo é que esses malditos zumbis não são como na ficção: lentos e burros, eles são muito rápidos e são capazes de flanquear um alvo em questões de segundos então o primeiro passo para se manter vivo é ter uma arma, não importa qual seja: de fogo ou branca, você precisa se defender, pois chutes e socos não irão te salvar de 20 zumbis famintos correndo em sua direção imaginando um pedaço suculento de carne.
            Estar nesse caos força a pessoa mostrar seu lado bestial, o lado em que você mata outras pessoas para comer, beber e sobreviver, meu lema não é esse, mas infelizmente eu vivo em tal meio. Faz um bom tempo que não vejo um sobrevivente, tempo esse que eu não faço a menor idéia qual seja, não sei nem mesmo o mês em que eu estou, já que o dever de se preocupar com minha própria vida é mais importante do que saber qual é o dia do mês.
            Parece que o Diabo abriu o portão do inferno e com certeza, eu e aqueles que tentam sobreviver estamos condenados a vagar pela terra sem rumo, sem destino, sem motivo. Se Deus esta aí, essa seria uma ótima hora para ele ajudar. Estou na merda, faz dois dias que não como nada, minhas mãos e pernas tremem, não consigo pensar em algo a não ser comida e ainda sei que os zumbis que eu fugi estão aqui por perto. Dois dias nesse armazém e tudo que eu encontro são latinhas amassadas de refrigerante, preciso sair daqui agora ou morrerei de fome aqui.
            O armazém só tinha dois pavimentos - isso facilitava a minha fuga do local -, subo até o segundo pavimento e abro a janela, a garoa fina me causa arrepios assim que toca meu rosto, eu fecho a janela lentamente e avisto um hipermercado chamado Extra -um local comum onde me embebedava às vezes -, vou descendo por uma espécie de escada de emergência que por sinal foi por ela que eu subi e não vejo vestígio algum de zumbis - se eu for agora na corrida chego sem problemas no hipermercado ele é apenas algumas quadras daquele armazém-.
            Pego o máximo de ar e começo a me locomover ligeiramente - primeiro quarteirão sem problema-, dá pra acelerar mais, eu passo pelo segundo quarteirão e dobro a esquina eu já consigo avistar a garagem do hipermercado, sem pensar eu respiro fundo com total explosão e chego na entrada do hipermercado.

            - Droga, essa merda ta trancada.

            Tudo estava tranqüilo até que numa desesperada tentativa de arrombamento fiz muito barulho, se alguém queria que ninguém entrasse lá, esse alguém conseguiu e em poucos segundos eu ouvia grunhidos e gemidos de agonia se aproximando mais e mais em minha direção. Eu estava cercado e a única alternativa era passar pelos arames farpados.


Editado : Vinícius Patrão ( my love)         


Comentários

  1. A sua solidão me lembrou um pouco do filme/jogo Max Payne.. cheio de pensamentos solitários.

    Gostei da mescla com a tua cidade, e quero ver o que você vai arrumar de agora pra frente.
    Sua vontade de virar um "matador" se tornou de verdade, quero ver se a vontade de não ter coração também.

    Boa, pedrokas.

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